Por que o Yoga pode ser extremamente desconfortável?


Principalmente no começo.

Às vezes, na aula de yoga, tudo parece desconfortável e a gente mal consegue explicar o porquê. É uma resistência estranha. Aí você começa a pensar: “Ai, é lento demais”, “Nossa, fica muito parado”, “Ih, esse negócio de respirar não é comigo”, “Iiii, não gostei do professor…”, etc, etc.

A gente tenta achar um motivo externo — o estilo, o ambiente, o santo que não bateu com o do instrutor. Mas a verdade é outra.

O yoga, como prática de vida, nos leva para dentro. É uma jornada interior, um processo profundo de se perceber. E, verdade seja dita: olhar para dentro, por vezes, pode ser extremamente desconfortável. E muitas vezes bem dolorido também.

Passamos anos desconectados de nós mesmos, vivendo no piloto automático, sem perceber o que está acontecendo aqui dentro. A gente não percebe a ansiedade acumulando até que apareça uma gastrite. Não percebe o tamanho do cansaço até chegar um burnout. Simplesmente não nos percebemos.

E quando finalmente paramos e nos damos conta… o que encontramos pode ser um lugar onde, honestamente, a gente não queria estar. Mas ele sempre esteve lá. O yoga não cria o desconforto, ele só tira a distração. Ele revela.

Mas como praticar yoga então, se é assim?

Desenvolvendo amor pelo processo. E aprendendo a lidar com esses desconfortos que, no fundo, só estão trazendo notícias.

Eles não são defeitos ou problemas aleatórios; são apenas sintomas daquilo que o nosso corpo — com toda a sua sabedoria ancestral e divina — tem para nos dizer. O nosso corpo emite sinais o tempo todo. Aquela tensão no pescoço na segunda-feira, o aperto no peito antes de uma conversa difícil, o cansaço que o sono não cura… tudo isso é mensagem.

Praticar yoga é abrir espaço para ouvir esses sinais. É criar um cantinho interno onde o que foi silenciado por anos possa, finalmente, ser escutado. Não é sobre aguentar a dor, é sobre ter a coragem de ficar e acolher o que aparece.

Mas olha, não acredita no que eu estou dizendo aqui não… Teste por você mesmo. E depois, se quiser, compartilha comigo como foi.


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